É muito conhecida a expressão que aponta para a condição do escolhido, ou do salvo: “Uma vez salvo, salvo para sempre”.
A salvação por esse termo seria uma marca que Deus graciosamente dá a alguns, enquanto o restante da humanidade...
Bem, a ênfase é que, se todos estão perdidos, Deus em sua soberania escolhe alguns para a salvação a que não tinham direito porque ele é bom. E feliz é aquele que é escolhido.
Perceba que essa retórica é comumente reconhecida pelos que se entendem escolhidos.
Confesso que não simpatizo com esse raciocínio (com esse termo). Mas creio na condição da salvação que é graciosamente operada na fé que se revela salvação eterna em sua condição divina. No mais, pelo que vejo no comportamento de Jesus – que é salvação, é que essa tal salvação é um projeto de múltiplas salvações. Salvação do ser humano como um todo, levando em consideração seus pecados como processo de desumanização. Isso tem a ver com salvação nos mais diversos níveis, nas mais diferentes instâncias (familiar, política, tendência ao egoísmo, intolerância, egocentrismo, etc.). Quer seja uma salvação particular (individual) ou uma salvação coletiva (social). Salvação das e nas relações.
Não podemos esquecer que “o filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido”. E Ele “não veio para condenar o mundo, mas (veio) para que o mundo fosse salvo por Ele”.
Observe que quem facilmente condena somos nós. Quem estreita o caminho somos nós. Nós é que fechamos a porta, inclusive a porta do nosso coração.
Nesse contexto nos debatemos diante de um problema. Geralmente nós filtramos o outro pelo seu erro, como se o outro se resumisse ao erro, e o condenamos para sempre. Filtramos o outro pelo evento que o maculou, como se esse outro fosse tal evento. Esquecemos que ninguém é o mal feito, a não ser que tal mal tenha se tornado seu estilo de vida. Talvez precisemos enxergar o outro como aquele (a) que cometeu um ato mal e não o mal em si. Não com a personificação de tal mal.
Mas, por favor, me diga:
Você convidaria para uma xícara de café alguém que um dia o traiu?
Você convidaria para levar adiante um projeto seu, alguém que o negou?
Você honraria alguém que o traiu feio, a ponto de tal traição o levar a vivenciar um calvário de sofrimento?
Pergunto:
Não foi isso que Jesus fez diante da negação, traição e abandono dos seus amigos?
Aliás, sabemos que o amargo sabor da traição está em ser traído por alguém de quem não se espera. Isso porque só somos traídos por quem está do nosso lado, por quem amamos. O inimigo não trai, só o amigo, por isso é doloroso.
Mas, para Jesus, uma vez condenado pelo mau evento, não tem que ser condenado para sempre.
O Pedro que nega Jesus é reabilitado à confiança; ao Judas que na narrativa do evangelho, se lê que ele entrega Jesus aos seus algozes é oferecido o símbolo da honra, o primeiro pedaço de pão (a primeira fatia do bolo, assim como fazemos em nossas festas querendo honrar alguém); à multidão manipulada, fraca que, unida leva Jesus à cruz é lembrada no momento da intercessão, apesar do sofrimento: “Pai, perdoa”.
Esse foi o comportamento assumido pelos discípulos e, devia chegar até nós.
Quando alguém trai, traiu, mas não tem que carregar essa mancha de traidor para sempre. Uma vez condenado não tem que ser para sempre. É a opção do perdão ao outro e a si mesmo. Liberar o outro e ficar liberado desse peso. Isso é questão de provocar o outro para que o mal não se torne seu estilo de vida.
Ex: Pedro, tu me amas? Há em seu coração o desejo de acertar o passo? Judas, você está me matando, mas não tem que ser sempre assim. Gente, você me condena, mas devia procurar me conhecer melhor.
Porque uma vez condenado, não tem que ser condenado para sempre. A condenação não pode me definir alguém eternamente como um errado.
Apesar de continuarmos passíveis de erro, devemos lutar contra esse mal e seguir em frente. Buscar somar o bem, apostar na paz, perdão e amor.
Uma vez condenado, repense essa condição, porque aquele que assume seu erro e procura acertar o passo, pode alcançar misericórdia. Pode sim se enxergar num processo de salvação.
Uma vez condenado... quer pela justiça, quer pela sociedade, quer pela igreja, ou por outro, acredite – pode sim experienciar a chance de acertar o passo, pode sim ter jeito, e ainda pode ser salvo.
Portanto, não deixe que a condenação imposta a você o defina como um condenado eterno, mas que uma vez condenado, desafiado está a lutar para que esse estigma condenatório se torne em marco de transformação e retorno ao caminho da superação.
Um processo de salvação que se registra como uma nova chance que deve ser aproveitada na sensibilidade do ir e não se condenar novamente, já que Deus prova seu amor para conosco apesar de nós, apesar de nossa condenação.
Uma vez condenado... que bom que ainda posso recuperar minha dignidade pela graça salvadora de Cristo.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
MEU PAI, MEU HEROI!
Sou o primogênito lá de casa. Eu ainda era criança quando meus pais trabalhavam numa fábrica de tecelagem. Sábado era um dia especial para ele e também para nós. Quando pedíamos algum dinheiro, a resposta do papai era sempre: “Só sábado!” Sábado era o dia em que ele recebia parte de seu salário.
Eu amava quando o papai, no domingo me chamava para ir à feira comprar a galinha para o almoço do final de semana. Ninguém fazia uma galinha melhor do que a mamãe. A mesa ficava rodeada por todos nós e o papai sempre se sentava na ponta da mesa. Era o seu lugar.
Já nesse tempo, o meu pai era sagradamente o nosso herói. Quem fazia as compras? Quem disciplinava a gente? Quem resolvia as broncas?
Quando a mamãe dizia: “Vou contar a seu pai.”, mais do que o medo da disciplina, nós nos conscientizávamos da proporção do mal feito.
Além de tecelão, meu pai fazia trabalhos de encanador hidráulico e serviços básicos de eletricidade. Eu me sentia grande quando ele me chamava para ajudá-lo.
Ainda hoje gosto muito de uma expressão que costumava dizer: “Nem tudo é perfeito, mas tudo o homem pode aperfeiçoar!”.
Ainda me lembro de quando em alguns serviços de eletricidade, na falta de uma escada, ele se punha sobre uma mesa e de repente eu ouvia: “Cuidado, não toque em mim, porque estou cheio de choque!”. Cara, meu pai era muito poderoso. Aguentava choque elétrico. Papai era sem dúvida meu herói.
Mas fui crescendo e me emancipando. Precisava de espaço. Precisava seguir meu caminho. Com isso, ele não deixou de ser meu pai e nem eu deixei de me sentir seu filho.
Nesse tempo eu já percebia que ele não era o “poderoso” que imaginava. Eu havia construído uma imagem mitológica. Mas é interessante lembrar que o encanto que tinha pelo meu pai não havia diminuído. Eu estava começando a me atualizar naturalmente em relação a meu pai.
Eu precisei admitir a verdade de que meu pai não era o todo poderoso do jeito que imaginava. Pelo menos, não por suprir a casa junto à mamãe, nem por ser criativo, por trabalhar ou educar seus filhos. O suposto poder do meu pai não estava no fazer de pai, mas em ser PAI.
Enquanto eu crescia e amadurecia, ele foi se revelando ou eu o fui percebendo humano com emoções, vontades, disposição para liberar seus filhos para viverem suas respectivas vidas.
O papai não diminuiu em nada no meu conceito. O que aconteceu foi que ele me possibilitou dentro de meu amadurecimento a ver seu “poder” através de outras lentes. Meu problema estava no que entendia sobre ser poderoso ou ter poder. Não se constatava a falta de poder, mas no que consistia esse poder.
Foi então que perdi o medo de me frustrar por sua suposta falta de poder. E, era isso que me fazia crescer e seguir adiante. Aquele que segurava na minha mão para que atravessasse a rua com segurança, agora me fazia perceber que eu podia acreditar no valor a mim legado. Eu podia caminhar com minhas próprias pernas.
Gente, isso tem tudo a ver com a relação que tenho com Deus. Na bíblia, Paulo disse que quando era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino, mas, quando se tornou homem, ele passou a se comportar de acordo com o homem que se havia tornado. Nosso comportamento infantil não deixou de ser nossa história. De acordo com o tempo e o entendimento nesse tempo, tudo valeu a pena, valeu o feito, mas o tempo passa. Foi o que aconteceu, passou. A vida segue seu curso. O leque das percepções se abriu. As responsabilidades nos chama. E, nós vamos crescendo, nos atualizando e, vivendo novas realidades.
A figura que fazia de Deus como uma entidade celestial com todo poder, que resolvia meus pepinos e que eu o chamava para dar um jeitinho para que fosse chamado no emprego e que me livrava de todos os acidentes, também não diminuiu ao perceber seu poder por outras lentes. Tal conceito de poder foi revisto. Com isso deixei de ver Deus de forma intervencionista personalizada para perceber a ação maravilhosa de Deus na nossa história que se concretiza à medida de nossa sensibilidade e amadurecimento. Foi em Jesus que entendi Deus no humano, sendo o verdadeiro humano; se mostrando bem humano.
Para mostrar o quanto aposta no crescimento humano, Jesus disse: “Aquilo que faço hoje, vocês só compreenderão depois”. Depois quando? Na oportunidade de crescimento, sensibilidade e amadurecimento.
Então, é maravilhoso perceber que Deus não foi diminuído na figura de Jesus. Na verdade, Ele foi evidenciado. Isso mostra o quanto Deus ama o humano e o quanto ele é a fonte de nossa divina humanidade. E, é assim que nos tornamos mais parecidos com o Pai, o meu, o nosso Pai herói.
Eu amava quando o papai, no domingo me chamava para ir à feira comprar a galinha para o almoço do final de semana. Ninguém fazia uma galinha melhor do que a mamãe. A mesa ficava rodeada por todos nós e o papai sempre se sentava na ponta da mesa. Era o seu lugar.
Já nesse tempo, o meu pai era sagradamente o nosso herói. Quem fazia as compras? Quem disciplinava a gente? Quem resolvia as broncas?
Quando a mamãe dizia: “Vou contar a seu pai.”, mais do que o medo da disciplina, nós nos conscientizávamos da proporção do mal feito.
Além de tecelão, meu pai fazia trabalhos de encanador hidráulico e serviços básicos de eletricidade. Eu me sentia grande quando ele me chamava para ajudá-lo.
Ainda hoje gosto muito de uma expressão que costumava dizer: “Nem tudo é perfeito, mas tudo o homem pode aperfeiçoar!”.
Ainda me lembro de quando em alguns serviços de eletricidade, na falta de uma escada, ele se punha sobre uma mesa e de repente eu ouvia: “Cuidado, não toque em mim, porque estou cheio de choque!”. Cara, meu pai era muito poderoso. Aguentava choque elétrico. Papai era sem dúvida meu herói.
Mas fui crescendo e me emancipando. Precisava de espaço. Precisava seguir meu caminho. Com isso, ele não deixou de ser meu pai e nem eu deixei de me sentir seu filho.
Nesse tempo eu já percebia que ele não era o “poderoso” que imaginava. Eu havia construído uma imagem mitológica. Mas é interessante lembrar que o encanto que tinha pelo meu pai não havia diminuído. Eu estava começando a me atualizar naturalmente em relação a meu pai.
Eu precisei admitir a verdade de que meu pai não era o todo poderoso do jeito que imaginava. Pelo menos, não por suprir a casa junto à mamãe, nem por ser criativo, por trabalhar ou educar seus filhos. O suposto poder do meu pai não estava no fazer de pai, mas em ser PAI.
Enquanto eu crescia e amadurecia, ele foi se revelando ou eu o fui percebendo humano com emoções, vontades, disposição para liberar seus filhos para viverem suas respectivas vidas.
O papai não diminuiu em nada no meu conceito. O que aconteceu foi que ele me possibilitou dentro de meu amadurecimento a ver seu “poder” através de outras lentes. Meu problema estava no que entendia sobre ser poderoso ou ter poder. Não se constatava a falta de poder, mas no que consistia esse poder.
Foi então que perdi o medo de me frustrar por sua suposta falta de poder. E, era isso que me fazia crescer e seguir adiante. Aquele que segurava na minha mão para que atravessasse a rua com segurança, agora me fazia perceber que eu podia acreditar no valor a mim legado. Eu podia caminhar com minhas próprias pernas.
Gente, isso tem tudo a ver com a relação que tenho com Deus. Na bíblia, Paulo disse que quando era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino, mas, quando se tornou homem, ele passou a se comportar de acordo com o homem que se havia tornado. Nosso comportamento infantil não deixou de ser nossa história. De acordo com o tempo e o entendimento nesse tempo, tudo valeu a pena, valeu o feito, mas o tempo passa. Foi o que aconteceu, passou. A vida segue seu curso. O leque das percepções se abriu. As responsabilidades nos chama. E, nós vamos crescendo, nos atualizando e, vivendo novas realidades.
A figura que fazia de Deus como uma entidade celestial com todo poder, que resolvia meus pepinos e que eu o chamava para dar um jeitinho para que fosse chamado no emprego e que me livrava de todos os acidentes, também não diminuiu ao perceber seu poder por outras lentes. Tal conceito de poder foi revisto. Com isso deixei de ver Deus de forma intervencionista personalizada para perceber a ação maravilhosa de Deus na nossa história que se concretiza à medida de nossa sensibilidade e amadurecimento. Foi em Jesus que entendi Deus no humano, sendo o verdadeiro humano; se mostrando bem humano.
Para mostrar o quanto aposta no crescimento humano, Jesus disse: “Aquilo que faço hoje, vocês só compreenderão depois”. Depois quando? Na oportunidade de crescimento, sensibilidade e amadurecimento.
Então, é maravilhoso perceber que Deus não foi diminuído na figura de Jesus. Na verdade, Ele foi evidenciado. Isso mostra o quanto Deus ama o humano e o quanto ele é a fonte de nossa divina humanidade. E, é assim que nos tornamos mais parecidos com o Pai, o meu, o nosso Pai herói.
domingo, 1 de dezembro de 2013
Reencantando-se com a fé
O ser humano é um ser de fé. O ser humano facilmente se
encanta com a fé.
Como não se encantar com a fé ou com uma mensagem estimulante
que leva em conta a condição de carência ou insegurança?
Carência e insegurança fazem parte dos altos e baixos da
vida humana. Nem todo dia chove no roçado, nem todo ano é de fartura, e nem
sempre o bom homem tem condições de trabalhar.
E, ainda que tudo esteja bem para alguém, quando numa
visita de rotina ao médico que pede alguns exames, já se sabe que o resultado
pode surpreender. É quando surge o medo. O medo da vida em suas oscilações.
Daí, ouve-se uma mensagem provocante de uma fé no Deus da
Providência. Essa é uma mensagem de esperança.
Para quem está sofrendo, essa fé pretende garantir uma
intervenção divina, sobrenatural, pessoal e distinta. É o caso de sentir
privilegiado.
Para quem não está sofrendo, mas que sabe dessa condição,
essa fé pretende garantir um adiantamento dessa intervenção a ponto de haver
uma segurança quanto à possibilidade de algo ruim. Para muita gente isso é
encantador. E, não se deve tirar a fé das pessoas.
Mas a questão é que qualquer evento, bom ou mal, está
para todos os seres. Não é verdade que o sol nasce para todos? Todos os seres
humanos estão sujeitos a tudo! A caminhada cristã não confere o resultado dessa
fé triunfalista. É uma frustração se sentir excluído do resultado positivo de
uma fé nutrida dentro de uma condição mal ou não resolvida.
A fé triunfalista não bate com o cerne da mensagem de
Jesus. Nem bate com a realidade histórica. Essa fé pregada na mensagem
triunfalista parece privilegiar alguns em detrimento da maioria. Visite um
hospital onde se pode conferir essa realidade nua e crua. Onde estão as pessoas
de fé? Ou melhor, aquelas pessoas não têm fé? O problema não estaria no
conceito de fé ensinado e, infelizmente não conferido na realidade da vida?
E, o que dizer de uma mensagem que ressalta uma fé de
causa e efeito? Abrindo o leque para enxergar a maioria dos casos, veja se
confere o resultado dessa fé? Não obstante alguns resultados positivos, até
onde o sacrifício, o cumprimento de regras, ou mesmo o que se chama de
obediência aos preceitos têm, de fato, garantido saúde, segurança, fartura e
sucesso?
A fé que privilegia uns em detrimento da maioria não
combina com a fé pregada e vivida por Jesus. A fé revelada em Jesus é uma
confiança no Amor. A fé nutrida por Jesus é a encarnação do “Verbo” que leva o ser
filho ou filha de Deus a se tornarem respostas às suas próprias orações.
A verdade é que já pode-se notar o desencantamento dessa
fé triunfalista e de causa e efeito. Mas, a fé não se perdeu. Há um novo
encanto da fé. Há um reencanto com a fé a partir de um conceito percebido em
Jesus. Trata-se de encarnar uma fé que produz vida, que produz coragem e que ousa
encara a vida com todas as suas adversidades. É essa fé que leva o ser humano
seguir em frente apesar das pedras no caminho. É essa fé cuja percepção da
providência divina é o próprio humano que a partir dele e de sua história se
reinventa, cria e vive sua vida com todos os seres afins numa grande comunidade
de amor, fé e esperança.
É reencantadora a fé que tem a vida como uma grande
aventura e ao olhar para sua história vê que valeu a pena cada passo confiante
junto aos valores do Reino que leva o ser de fé a olhar e vibrar para uma
realidade que supera a cruz. É o reencantamento de uma fé que enche a alma de
esperança de que nada foi, é ou será em vão.
Josué Gomes
Josué Gomes
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Bodas de Pérola
Descobri que estamos completando “Bodas de Pérola”. Soubemos
também que “Boda” é voto, é promessa, é festa. Pronto, estamos num momento de
festa onde podemos atualizar os votos e fazer ou refazer promessas.
De minha parte, como sempre atrasado, quero declarar meu
desejo, não de renovar os votos feitos quando na juventude quando casamos. Na época
eu falei o que o pastor me mandou falar. Esses votos são utópicos, são expressões
de anseios de nossas esperanças. Nesse momento estamos com os hormônios à flor
da pele. Não raciocinamos direito. Vamos falando o que nos disserem. Não pensamos
nas lutas, nas dificuldades, nos desafios das diversas situações em que nem
sabemos que nos meteremos.
Os altos e baixos da nossa história confirmam o que estou dizendo,
né!
E o tempo foi passando. Você é consciente de tudo o que
aconteceu durante todo esse tempo. Você decidiu, assim como eu, lutar por tudo
aquilo que um dia sonhamos ainda que sem saber o peso de nossas falas e de
nossas lutas.
Não foi fácil, mas quem disse que seria?
A pérola é um nome apropriado para nossa história. Não se trata de um conformismo barato das relações
passivas, mas sim de um re-significar de eventos onde se transforma o que é difícil
desafio de superação. Isso é que aquilata a nossa relação. Acho que o que faz
jus à nossa Boda de Pérola é que, de alguma forma escolhemos o caminho mais
difícil, ou seja, o de seguir em frente em vez de seguir a trilha da sociedade líquida.
Nossa relação não se mostrou líquida, mas sólida. Aprendemos a reinventar nossa
história começada tão cedo. Você só tinha 18 anos e eu, 23. Aniversariamos no
mesmo dia 29 de abril. Nosso sangue é o mesmo. Nossa história é nossa, não sua,
também não é minha. Nosso amor, não é mais aquele. Nosso amor é bem mais
maduro, bem mais sólido. O tempo e os eventos não foram capazes de destruí-lo
no todo. Se houve alguma mudança, foi porque as nossas desilusões nos abriram
espaço para nova dimensão de amor.
Meu amor, sou grato a Deus. Sou grato à vida. Sou grato a
você por saber que a cada dia descubro no brilho de seu olhar a certeza de que
não tenho que seguir sozinho. Você também não, eu estou do seu lado. Isso me
enche de esperança e me faz sentir que seu coração está ao meu lado tanto
quando seu corpo.
Mais uma vez quero declarar meu amor por você. Hoje mais do
que antes, minha doce Cássia. Hoje declaro meu amor para os próximos 30 anos e
novas pérolas.
Seu Josué
terça-feira, 12 de março de 2013
Direitos humanos e fé cristã
Imagem extraída de
É lamentável que, ainda hoje, não tenhamos evoluído ao ponto de garantir os direitos mais elementares a todas as pessoas. Não basta reconhecer tais direitos, é necessário efetivá-los, sem qualquer distinção. A expressão “direitos humanos” gera reações inexplicáveis em algumas pessoas, que, ao que parece, entendem que nem todos os humanos são destinatários dos tais direitos. Há, nesse ponto de vista, grupos de pessoas que não são merecedoras dos mesmos direitos das pessoas “direitas” e “bem nascidas” (como detesto essa expressão). É claro que tais pessoas são direitas sob o próprio ponto de vista.
Há uma dificuldade enorme de que aceitar as diferenças. Somos ainda tão primitivos que há nesse mundo discriminação por conta da cor da pele. Mas, evidentemente, em qualquer pesquisa que se faça, a maioria das pessoas diz que há racismo no Brasil, mas ninguém se reconhece racista. Preconceituoso é sempre o outro.
“É que Narciso acha feio o que não é espelho”, como canta Caetano. Assim, quem não professa a mesma crença é visto com desconfiança. Quem não tem o mesmo comportamento sexual é tido como abominação. Quem não adota o mesmo estilo de vida é torpe. Quem não tem a mesma convicção política é alienado. Quem não repete os mesmos dogmas é herege. O diferente está sempre errado.
Para além do elementar direito à vida e do sagrado direito à liberdade, é necessário avançar para igualdade. Mas a igualdade só será vivenciada quando os diferentes forem acolhidos, quando as diferenças não forem barreiras para a celebração da fraternidade.
Nossa Constituição Federal, em seu artigo 1º, lança como um dos fundamentos da República, o princípio da dignidade da pessoa humana. No artigo 3º, dispõe como objetivos fundamentais do país, “construir uma sociedade livre, justa e solidária”, e ainda “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. No tão citado artigo 5º, arremata dispondo que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”.
O texto fundante da nossa república afirma a igualdade e repele a discriminação de qualquer natureza. Por isso causa espécie que se queira negar direitos elementares a qualquer grupo de pessoas. Não me parece razoável que uma pessoa tenha negado o direito de constituir uma família por conta de sua orientação sexual, por exemplo, já que todos os brasileiros são iguais e não pode haver distinção de qualquer natureza.
Celebro, também, o fato de o texto fundante do cristianismo afirmar que “Deus não faz distinção de pessoas”. Mas lamento o fato de que muitos de seus seguidores discriminem de maneira tão contundente pessoas que não creem ou não vivem conforme suas crenças. Não preciso ter as mesmas crenças, nem adotar o mesmo comportamento que o outro para que o respeite. Mas não se pode negar direitos humanos fundamentais a quem quer que seja. Reconhecer esses direitos não quer dizer assumir o mesmo estilo de vida, mas apenas respeitá-lo.
Em tempos de celeuma por conta de direitos humanos, nunca é demais lembrar as palavras de um pastor, esse sim, verdadeiramente um defensor desses direitos, Martin Luther King Jr: “Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais”. Aspirou, tal pastor, o dia em que todas as pessoas, brancos e negros, pobres e ricos, judeus e gentios, católicos e protestantes “poderão se sentar junto à mesa da fraternidade”, sem qualquer distinção.
Texto de Márcio Rosa da Silva (marciorosa.wordpress.com)
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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
São poucos os que Enter
Metade dos cristãos digita os próprios comandos e pressiona a tecla Enter de Deus, na esperança de que ele comece a fazer magicamente o que querem. A outra metade digita os comandos de Deus e aperta a própria tecla Enter, na esperança de começar a fazer magicamente o que Deus quer.
A boa-nova, a assustadora boa-nova, é que Deus quer programadores, não usuários.
Ele espera que digitemos nossos comandos e apertemos nossa tecla Enter e ainda assim - com toda a responsabilidade, todo o risco e nenhuma mágica - produzamos um mundo que promova a graça (ou seja, a beleza, o cavalheirismo e a criatividade) e honre a herança de seu idealizador.
A boa-nova, a assustadora boa-nova, é que Deus quer programadores, não usuários.
Ele espera que digitemos nossos comandos e apertemos nossa tecla Enter e ainda assim - com toda a responsabilidade, todo o risco e nenhuma mágica - produzamos um mundo que promova a graça (ou seja, a beleza, o cavalheirismo e a criatividade) e honre a herança de seu idealizador.
(Texto de Paulo Brabo extraído do livro que leva o mesmo nome de seu site www.baciadasalmas.com. A Bacia das Almas - confissões de um ex-dependente de igreja. Pág. 311)
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Amolecido por ser avô
É incrível como as mães conseguem traduzir (ou seria “interpretar”?)
as línguas estranhas de seus bebês. O bebê diz "ahahabjlhgh" e a mãe traduz: “olha,
ele(a) tá dizendo que gosta muito de ir à casa da vovó” ou algo parecido.
Isso me fez suspeitar de não ser verdade quando ouvi algo
parecido como “vovô” dito pela Sofia, filha da minha filha Nathalia e meu genro Jácson. Procurei não
me empolgar, procurei não admitir. Bem que a Cássia me disse, mas a Sofia era tão pequena, tão novinha. Daqui a
alguns poucos meses ela ainda completaria seu primeiro ano de idade.
Mas, quando a pouco estávamos de viagem (Maceió/Fortaleza) e
ela na cadeirinha comportada no banco traseiro do carro. Não há dúvida. Nesse dia
fui brindado com um “vovô” olhando pra mim. Não dá pra me confundir. Foi verdade
mesmo. Eu fiquei tão feliz e tão emocionado que entendi que a minha (ou nossa)
viagem estava garantida.
Não posso esquecer que um casal amigo (Ivan e Larisse) nos
abençoou com o sentimento de sermos avós quando liberaram seus filhos Isabela e
do Levi que aprenderam a nos chamar “vovô pastor” e “vovó”. Foi uma experiência
maravilhosa como uma entrada degustiva que serviu, tanto pra nós que cobrávamos
ao Jácson e Nathalia a vinda da Sofia, como suprindo a ausência dos vovôs Ivan
e Ziza (pais do Ivan) e Bezerrão e Zélia (pais da Larisse). Sou muito agradecido
a essa gente. Ainda tenho um grande apreço como avô dessas crianças (Isabela e
Levi). E, espero tê-los como netos por toda a minha vida.
Com a Sofia foi diferente. Era uma cobrança de sangue, inclusive
do próprio Ivan e Larisse como amigos chegados do Jácson e Nathalia. Agora
imagine eu ouvindo pela primeira vez a Sofia me chamando de “vovô”. Se já me
sentia vovô, agora sou de fato e de direito.
Admito que estou todo abobalhado, mas quem não ficaria? Quem
não se sentiria pleno de felicidade? Quem não se sentiria perpetuado pela
próxima geração? Quem não se sentiria amolecido pela doçura de uma criança interagindo
e se identificando?
Pois é. Sou feliz por ser avô. Amolecido por ser avô. Isso é
mais ou menos o que posso explicar. Um sentimento de ser avô.
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