Mostrando postagens com marcador ilusões. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ilusões. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 31 de julho de 2017

CADÊ DEUS QUANDO MAIS PRECISO DELE?

Sou de uma geração de evangélicos e meus ouvidos se acostumaram a ouvir testemunhos. Eu mesmo fiz isso.

É interessante como a gente se acostuma com eles e, sem perceber, acabamos nos tornamos mais exigentes. Lembro-me que ia de um bairro a outro e até mesmo outra cidade para ouvir um testemunho do tipo que nos fazia suspirar. Era a certeza de que Deus estava agindo na vida de tal pessoa. Dizíamos “Oh, que coisa tremenda! Essa pessoa é muito abençoada!”. Com o tempo fui achando que alguns testemunhos evidenciavam mais o passado que o presente transformado do testemunhante.

Com o passar do tempo a coisa piorou. Passamos a perceber que os testemunhos eram selecionados de acordo com a conveniência da instituição, pois era ela a mais interessada no fruto dessa apresentação.

Por que achamos que alguém só é abençoado quando o testemunho diz respeito à transformação do bolso vazio e agora cheio de dinheiro? Do não tinha, agora tenho? Não seria isso uma isca ilusória do evangelho da ganância, das filhas da sanguessuga que sempre pede: “Dá-dá”?
Por outro lado, onde está Deus quando mais preciso dele? Estará com os que tem acumulado seus bens, já que bênção inicia com um fonema de “bem”? Não creio!

O Deus pai de Jesus sempre se mostrou presente na pessoa de Jesus e se mostra no espírito transformador da miséria em equilíbrio, na falta que se preenche com aquele que divide. A verdade é que há uma presença interior no ser humano que precisa e deseja ser percebida – a presença de Deus, não como aquele que vai resolver teus deveres, mas que garante está presente te dando força para continuar.

Vamos lá, Meu povo! Vamos captar essa mensagem como de Deus para a nossa vida e estejamos prontos para viver a sua vida com tudo, quando esse tudo começa com a percepção da força que Deus nos dá para seguir adiante!


Josué Gomes

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A ALEGORIA DA CAVERNA (por Platão)


Imagine um grupo de pessoas que habitam o interior de uma caverna subterrânea. Elas estão de costas para a entrada da caverna e acorrentadas no pescoço e nos pés, de sorte que tudo o que vêem é a parede da caverna. Atrás delas ergue-se um muro alto e por trás desse muro passam figuras de formas humanas sustentando outras figuras que se elevam para além da borda do muro. Como há uma fogueira queimando atrás dessas figuras, elas projetam sombras bruxuleantes na parede da caverna. Assim, a única coisa que as pessoas da caverna pedem ver é este “teatro de sombras”. E como essas pessoas estão ale desde que nasceram, elas acham que as sombras que vêem são a única coisa que existe.

Imagine agora que um desses habitantes da caverna consiga se libertar daquela prisão. Primeiramente ele se pergunta de onde vêm aquelas sombras projetadas na parede da caverna. Depois consegue se libertar dos grilhões que o prendem. O que você acha que acontece quando ele se vira para as figuras que se elevam para além da borda do muro? Primeiro, a luz é tão intensa que ele não consegue enxergar nada. Depois, a precisão dos contornos das figuras, de que ele até então só vira as sombras, ofusca a sua visão. Se ele conseguir escalar o muro e passar pelo fogo para poder sair da caverna, terá mais dificuldade ainda para enxergar devido a abundância de luz. Mas depois de esfregar os olhos, ele verá como tudo é bonito. Pela primeira vez verá cores e contorno precisos; verá animais e flores de verdade, de que as figuras na parede da caverna não passavam de imitações baratas. Suponhamos, então, que ele comece a se perguntar de onde vêem os animais e as flores. Ele vê o Sol brilhando no céu e entende que o Sol dá vida às flores e aos animais da natureza, assim como também era graças ao fogo da caverna que ele podia ver as sombras refletidas na parede.

Agora, o feliz habitante das cavernas pode andar livremente pela natureza, desfrutando da liberdade que acabara de conquistar. Mas as outras pessoas que ainda continuam lá dentro da caverna não lhe saem da cabeça. E por isso ele decide voltar. Assim que chega lá, ele tenta explicar aos outros que as sombras na parede não passam de trêmulas imitações da realidade. Mas ninguém acredita nele. As pessoas apontam para a parede da caverna e dizem que aquilo que vêem é tudo o que existe. Por fim, acabam matando-o.

(De: “O mundo de Sofia”, por Jostein Gaarder. Cia Das Letras, págs 104-105)