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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

DEUS E O MAL QUE ME AFLIGE

Dentre as questões mais loucas da humanidade, está a relação entre o Deus de amor, que é Todo Poderoso e o sofrer humano. Essa é uma questão antiga que, de tempos em tempos, reaparece com força diante da razão humana.

Será que tenho que admitir que Deus é essencialmente bom quando percebemos a maldade e a dor no mundo? Por que Deus não impede os desastres e a injustiça? Se, de fato ele existe e é justo, porque os maus prosperam diante dos bons que sofrem? Que tipo de Deus, reconhecido como amor e poder, permitiria um filho ser colhido pela foice da morte deixando seus parentes e amigos no sofrimento?

Ao nosso intelecto não passa em branco o pensamento que há algo estranho nessa relação. Grandes pensadores já se debruçaram diante dessa questão chamada de “Teodiceia”, que é “justiça de Deus”, do filósofo Alemão Gottfried Leibniz em 1710. Um dia desses foi Lex Luthor no filme “O Superman” que questionou: “Se Deus é todo poderoso ele não pode ser inteiramente bom, e se é inteiramente bom, não pode ser todo poderoso”.

Não dá para responder essas questões, mas também não vamos tapar o sol com a peneira, sendo simplistas diante do pesar humano. Claro que em muitos casos somos nós os responsáveis pela dor e sofrimento; quando não valorizamos a vida própria e nem a do próximo. Mas, o sofrimento vai além das irresponsabilidades humanas; basta lembrar de catástrofes naturais, os tsunamis, os tremores de terra, etc.

O que precisamos guardar como verdade diante disso tudo é que o sofrer faz parte da condição livre do ser humano. Deus não interfere nessa condição de liberdade, porque é nosso dever de casa cuidar da nossa vida e da vida de nosso planeta, nossa casa comum. A liberdade do ser humano não será pode ser cerceada diante de suas escolhas do bem ou do mal. E, não se iluda com a possibilidade de ser poupado das consequências do mal alheio, ou de ser poupado de algum desastre mediante a ação sobrenatural. O que acontece, acontece na aventura da vida comum.

Mas, não se preocupe com essa relação com Deus que pode te parecer improdutiva, já que se esperava que ele te poupasse da sor. E, se Deus não poupa ninguém do sofrimento, nos resta confiar em seu amor que nos impele ao bem, apesar de todo mal. Não gaste energia para entender o sofrer, pois isso faz parte da aventura humana.

Uma coisa você pode está certo, Deus é amor e esse amor nos fortalece diante da dor, e te faz saber que está mais próximo do que você imagina. Ele não te desampara diante de tudo aquilo que te fere.


Então mude o pensamento de que Deus está no controle de todas as coisas para Deus está comigo diante de todas as questões da vida, porque quando você entende que Deus está no controle, você tira a responsabilidade de um possível responsável. Não é Deus que está no dedo que atira à revelia e atinge um inocente; não é Deus que está no volante de um carro com um motorista bêbado que atropela uma pessoa na calçada de casa; não é Deus que está no controle de um piloto que, para economizar, pilota uma aeronave no limite de sua condição e acaba matando dezenas de sonhadores na véspera de sua realização. Não, o nosso Deus é amor e chora junto o sofrer humano, e trabalha nas mãos e cuidados dos médicos, enfermeiros, bombeiros que trabalham para tentar resgatar pelo menos mais um com vida!

sábado, 6 de agosto de 2011

A MORTE RETICENCIA A VIDA


Engasgado por um choro que teima o meu coração, sofro a primeira perda de alguém tão próximo, o meu irmão Samuel. Sou o primogênito de onze filhos (contando com dois irmãos de coração) de seu João e dona Lucinda. Nunca pensei que a morte atingisse a nossa família a começar por um dos mais novos.

Entendo a morte como parte da existência, mas não consigo recebê-la com os braços abertos. A perda da companhia com todos os sabores e dissabores, brincadeiras, piadas, comilanças, beberrânças, troca de idéias, etc., não se apagam facilmente ou não nos deixam insensíveis diante da perda de alguém que, para mim sempre foi especial.

Criado em um lar cristão, aprendi a esperar por um dia de ressurreição. É o nosso sonho cristão nutrido a partir da crença de um dia nos encontrarmos outra vez. Mas, no meu sonho egoísta gostaria que acontecesse ao pé da letra o que aconteceu com Lázaro, irmão de Maria e Marta. Estou disposto a retirar a pedra ainda que ferisse minhas mãos e estourassem meus músculos. Poderia lhe tirar as tiras da mortalha e lhe ajudar a vestir uma roupa dos viventes. Talvez isso seja fruto da minha dor de perder alguém que teve seu ponto final de existência humana antes do fim da linha. Foi assim que percebi que a morte reticencia a vida humana, e essa reticência em sua obscuridade nos abala e nos faz sofrer.

A dor cresce, não somente pela perda do meu querido brother, mas ainda pelo sofrimento de meus velhos pais, de meus irmãos e irmãs, cunhados e cunhadas, e toda a sobrinhada chorosa. Preciso de um tempo para chorar em paz e o que me resta agora é contar com doce presença de Deus que deve me cingir com uma força de reação para a vida que continua apesar da dor.

É interessante que me lembro do meu pai me dizendo que a morte não chega sem aviso. Isso acontece desde a primeira dor, a primeira queda, o primeiro cabelo caindo, a primeira dor de cabeça. Mas, e quando não há indícios claros dela chegando devido a idade? Será que ela vem assim mesmo ou é porque não discernimos essas mensagens? O certo é ela não escolhe pelo tempo de vida, nem pela crença ou religião, nem pelo gênero ou poder aquisitivo, apesar de que conforme algumas conversas entre a gente (com o Samuel) entendemos que Aquele que segura a nossa mão desse lado da vida é o mesmo que assim o faz do outro lado. É a nossa fé debatida e confirmada em nossas boas conversas.

Que pena, meu amado irmão, que sendo eu o mais velho sofro ao ver o fim dessa história, mas quero me segurar na boa esperança utópica de que uma hora dessas nos veremos e daremos boas gargalhadas desses tempos!

Eternas saudades!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

E Deus com isso?


Acho que não há dúvida que “tudo” é permitido por Deus. É fácil conferirmos isso através das notícias sobre a violência urbana, e sobre as mais diversas catástrofes naturais. De fato, não vemos nenhum movimento sobrenatural de Deus impedindo de forma concreta esse ou aquele fato. Sequestros, estupros, terror, morte covarde de crianças, jovens e adultos já nos sobejam nos noticiários.

Outra coisa que podemos afirmar que nem todo mal é mal em si. Sabemos que a tsunami foi um horror (mal) porque no seu trajeto muitos foram vítimas humanas. Uma enchente de um rio que levou centenas de casas e fez muitas vítimas assim ocorreu, não porque a enchente em si é um mal, mas por causa dos vitimados. Da mesma forma os tremores de terra acontecem, não por causa do homem, mas por causa das placas tectônicas. Isso nada tem a ver com o que é bom ou mal, a não ser quando sofremos.

E Deus com isso? Há algumas nuances observáveis nessa argumentação. Deus não deve ser responsável pela catástrofe como mal lançado contra os humanos maus, pois seria injustiça contra os “bons” que sofrerão de graça. Não creio que Deus mate a granel.

A presença do mal como sofrimento pode também ser vista como liberdade humana, logo amor de Deus. Deus “permite” tudo porque nos deixa livres para viver nossas escolhas. Há aqueles que escolhem a facilidade de moradia perto de vulcões pela beleza do lugar, aqueles que foram morar (escolha ou falta dela?) perto do açude ou rio para servir ao patrão entre o curral e a casa grande, aqueles que por um motivo ou outro moram em lugares com freqüência de catástrofes, e ainda aqueles que em nome da fé derrubam aviões. E Deus permite? Sim, quem pode afirmar que não? Ele permite e sofre com tudo isso, basta lembrar que ele não agüentou nem ver seu filho sofrendo na cruz (Por que me desamparaste?), – identidade de nossos sofrimentos que, afinal, ele os levou sobre si.

Por outro lado, é claro que não duvido de seu poder, mas duvido que esse poder não seja expresso nas raias do amor. Porque, quem sabe esse todo-poderio não seja apenas mais sofrimento em nome de sua soberana escolha de amar, por isso nos deixar viver nossos dilemas enquanto nos convida a cuidar de nosso planeta?