domingo, 15 de fevereiro de 2009

CARNAFOBIA


Vocês já perceberam como os argumentos que fazem apologia ao carnaval são totalmente contrários aos da maioria assombrosa dos crentes que lutam contra a “festa da carne”? Aliás, o termo “festa da carne” já indica um sentimento carnafóbico.

É bem verdade que são muitas as igrejas (protestantes e católicas) que fazem retiros na época do carnaval. Objetivo? O nome já diz. Ficar fora da folia e longe dos foliões. Se dedicam a cultos, dinâmicas devocionais e esperam baixar a poeira carnavalesca para voltarem a realidade cotidiana. Outras pessoas, não necessariamente, “crentes” ou religiosos também aproveitam o feriado prolongado para descansar, não é verdade?

Mas o que me chama a atenção é que a fuga do carnaval tem provocado um sentimento de carnafobia em muita gente. Com esse sentimento se alega o despudor das pessoas que não se envergonham da nudez; se aponta para a irresponsabilidade sexual que prolifera trazendo uma leva de desconforto nas famílias; se lembra da violência e desrespeito para com as pessoas e o trânsito devido ao excesso de bebidas alcoólicas e drogas não licenciadas. Sim, e ainda falam de demônios transitando na “avenida” incorporados nos puxadores de samba que cantam alguns hinos à entidades reconhecidas nos cultos afro-brasileiros.

Gente, sem querer ser carnal, mas com os pés no chão e o coração em Deus posso perceber nossa tendência a um farisaísmo hipócrita (pedindo perdão aos fariseus). Não quero dizer que tais argumentos (em parte) não façam sentido. Claro que temo a violência. Também percebo a licenciosidade sexual, e já ouvi os hinos do culto afro-brasileiro, que, só para lembrar, é a maneira que eles encontram para cultuar o que eles entendem dentro da espiritualidade deles. O pior dessas coisas que mancham o carnaval pode se dever aos excessos, bem como da distância que algumas pessoas se encontram do Deus amado da Bíblia. Mas não concluam que Deus é o “do contra” tudo que a gente gosta. Ele não é um Alguém chato que em nome de sua santidade execra de seu coração os foliões por mais exaltados que sejam. Por outro lado, o carnaval visto como festa cultural brasileira pode ser muito boa para quem deseja se divertir de forma ordeira e respeitosa tanto para quem busca se retirar para um culto mais ortodoxo.

Seria interessante levarmos em consideração os depoimentos das pessoas que se encantam com essa festa. Será que nossas lentes só enxergam o “mal”? Em nome do que entendemos ser a verdade bíblica, não há espaço de inclusão social despreconceituosa? Fala sério, se você pudesse extinguiria o carnaval e acabaria com toda a festa que você julga ser da carne, pagã ou imoral? Será que não precisamos lembrar que Jesus disse que deixasse crescer o joio junto ao trigo nos ensinando que a condenação não nos pertence?

Agora, cá pra nós. Vocês já se deram conta do tanto de gente boa e reconhecida como espiritual que, mais amena em relação à cultura, conseguimos flagrar vendo na televisão esse espetáculo em pleno retiro espiritual e ainda torcem pela escola de sua preferência? Afinal, você acha que temos que ser carnafóbicos para mostrar santidade?

Um comentário:

Deise disse...

Como entendo nossa relação com o carnaval???Muito complexo p ser escrita em curto texto...só sei q é sim uma festa linda..com muitas cores, artes, dedicação, empenho, musicalidade, talento...dá gosto de se ver...menos os excessos e a nudez...q no nosso dia a dia vemos de janeiro a janeiro..e num dá p nos "retirarmos todo o ano"...enfim...gostei muito deste texto...Não é nossa posição radical diante do fatos/eventos q mostra nossa santidade!!!