sábado, 6 de agosto de 2011

A MORTE RETICENCIA A VIDA


Engasgado por um choro que teima o meu coração, sofro a primeira perda de alguém tão próximo, o meu irmão Samuel. Sou o primogênito de onze filhos (contando com dois irmãos de coração) de seu João e dona Lucinda. Nunca pensei que a morte atingisse a nossa família a começar por um dos mais novos.

Entendo a morte como parte da existência, mas não consigo recebê-la com os braços abertos. A perda da companhia com todos os sabores e dissabores, brincadeiras, piadas, comilanças, beberrânças, troca de idéias, etc., não se apagam facilmente ou não nos deixam insensíveis diante da perda de alguém que, para mim sempre foi especial.

Criado em um lar cristão, aprendi a esperar por um dia de ressurreição. É o nosso sonho cristão nutrido a partir da crença de um dia nos encontrarmos outra vez. Mas, no meu sonho egoísta gostaria que acontecesse ao pé da letra o que aconteceu com Lázaro, irmão de Maria e Marta. Estou disposto a retirar a pedra ainda que ferisse minhas mãos e estourassem meus músculos. Poderia lhe tirar as tiras da mortalha e lhe ajudar a vestir uma roupa dos viventes. Talvez isso seja fruto da minha dor de perder alguém que teve seu ponto final de existência humana antes do fim da linha. Foi assim que percebi que a morte reticencia a vida humana, e essa reticência em sua obscuridade nos abala e nos faz sofrer.

A dor cresce, não somente pela perda do meu querido brother, mas ainda pelo sofrimento de meus velhos pais, de meus irmãos e irmãs, cunhados e cunhadas, e toda a sobrinhada chorosa. Preciso de um tempo para chorar em paz e o que me resta agora é contar com doce presença de Deus que deve me cingir com uma força de reação para a vida que continua apesar da dor.

É interessante que me lembro do meu pai me dizendo que a morte não chega sem aviso. Isso acontece desde a primeira dor, a primeira queda, o primeiro cabelo caindo, a primeira dor de cabeça. Mas, e quando não há indícios claros dela chegando devido a idade? Será que ela vem assim mesmo ou é porque não discernimos essas mensagens? O certo é ela não escolhe pelo tempo de vida, nem pela crença ou religião, nem pelo gênero ou poder aquisitivo, apesar de que conforme algumas conversas entre a gente (com o Samuel) entendemos que Aquele que segura a nossa mão desse lado da vida é o mesmo que assim o faz do outro lado. É a nossa fé debatida e confirmada em nossas boas conversas.

Que pena, meu amado irmão, que sendo eu o mais velho sofro ao ver o fim dessa história, mas quero me segurar na boa esperança utópica de que uma hora dessas nos veremos e daremos boas gargalhadas desses tempos!

Eternas saudades!

3 comentários:

Sandra Lúcia disse...

É Jó, sei que a dor vai passar e vamos nos lembrar só dos bons momentos!

Lifeology - O Estudo da Vida disse...

Já fiz incontáveis aconselhamentos fúnebres passando certeza da eternidade e da vida pós-morte. Mas, vivenciar este momento é imensuravelmente mais doloroso que se imagina e tenho que repensar meus conselhos pois o que eu falava antes, nada tem a ver com a realidade. O que mais me confortava era a frase: "Chore amigo,isso é bom!"

Pr. Robério Alexandre disse...

Caro Josué, sinto muitíssimo sua perda... essa dor não a senti ainda, mas imagino-a feroz. Desejo apenas que o bálsamo do consolo seja derramado pela providencia divina sobre você e os seus.

" ..nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono." João 11:11