quinta-feira, 1 de setembro de 2011

E se, no final de tudo, descobrisse que não era bem assim?

Aprendemos nos evangelhos: Jesus é o Filho de Deus que se tornou humano nascendo a partir de uma virgem. Nesse tempo uma estrela direcionou alguns magos orientais até a cidade onde Jesus nasceu. Narrativas bíblicas relatam que Jesus realizou muitos milagres curando um monte de gente das mais diversas enfermidades como lepra, cegueira, hidrocefalia, paralisia, coluna, hemorragia, epilepsia... febre e até ressuscitou mortos. É dito que Jesus andou sobre águas, multiplicou alimentos; mudou o tempo... (que mais?). Apesar de todo bem praticado e de toda mensagem de esperança, ele acabou sendo morto numa cruz. Três dias depois ele ressuscitou e se apresentou aos seus discípulos. Dez dias depois esses discípulos testemunham um espetáculo. Jesus ascende aos céus enquanto dois anjos se apresentam e falam com os discípulos dando-lhes esperança confirmativa nas falas anteriores de Jesus de que ele voltaria.

Disseram-nos que nenhum dos historiadores de sua época escreveram uma só linha sobre ele, apesar da menção feita por Flávio Josefo, um historiador do primeiro século, havendo indícios de posteriores inserções cristãs nesses escritos.

O fato é que fomos evangelizados e nos damos conta que somos crentes.

Levando em consideração que você foi evangelizado por seus pais, parentes, amigos, igreja. Você buscou viver uma fidelidade evangélica. Se disciplinou dentro dos conceitos bíblicos. Viveu uma esperança escatológica de arrebatamento para o céu, depois uma vinda em glória de forma visível com direito a céu se rasgando e anjos tocando trombetas. Logo mais um trono branco seria posto para julgamento de todas as nações. Ressurreições em massa diriam que não bastava deixar de existir, era preciso sofrer para sempre devido a más escolhas, enquanto você o todos os crentes seriam salvos do lago de enxofre, sendo chamado para viver eternamente ao lado do bom Jesus, do Espírito Santo e de Deus-Pai. Você creu plenamente nisso tudo.

Mas, se no final você descobrisse que a verdade é que tudo não passou de uma motivação predisposta a lutar em nome daquilo que te disseram ser o melhor.

Lembre-se que foi por crer assim que você se dedicou em fidelidade, abriu mão de cometer crimes, de mentir, de roubar o teu semelhante, de destruir a natureza, de lutar pela paz em casa, na vizinhança e, numa pequena e limitada contribuição, lutou para estabelecer a paz no mundo... Se você se disciplinou e abriu mão de uma motivação egoísta, interesse próprio e olhar umbilicocêntrico... Com essa fé, você se motivou e por isso até mesmo contribuiu de diversas maneiras através de ofertas e dízimos... Por ser crente e acreditar ser o caminho do bem comum, você chegou a ser humilhado injustamente, violentado em sua fé, acabou escolhendo perdoar, muitas vezes com perdão unilateral e sem retorno...

Se no final você descobrisse que tudo, toda a sua fé não passou de um ideal que te estimulasse a viver em paz consigo mesmo e com o seu próximo. Nada de céu, nada de inferno, nada de condenação... Como você acha que reagiria?

Deixe-me simplificar a pergunta mudando o tempo da questão: Que aconteceria em seu coração se fossem retirados o céu e o inferno?

Lembre-se: É possível que, mais do que uma reação a uma suposição, sua resposta seja uma denúncia de si mesmo. E, é provável que sua resposta aponte para seu nível de fé, maturidade e segurança de conteúdos.

Meu objetivo não é fazer afirmação de nada. Nem estou suspeitando de nada. Também não estou sugerindo nada. Estou apenas pontuando a necessidade de atualizarmos a nossa fé. De lermos e relermos as Escrituras e buscar nelas a Vida e vivermos essa Vida de forma digna de um filho de Deus.

E, se no final descobrirmos que não era bem do jeito que pensávamos... Bem... Minha fé me diz que valeu a pena cada esforço, cada oração, cada conversa sobre Deus, sobre a vida, cada poesia, cada perdão, cada luta... e se no final não houvesse recompensa, pela vida vivida, independente de qualquer coisa já valeria a pena. E, se eu, se pudesse, voltaria para fazer tudo de novo... bendizendo Àquele que me proporcionou viver para o bem. Isso tudo já aponta para algo maior que eu, maior que meus sonhos. Tudo isso já apontaria para uma realidade indizível, mas maravilhosamente digna de ser vivida. Eu aposto nisso. Minha oração continua sendo a mesma, continuo chamando Deus de Pai. Jesus continua existindo em minhas conversas a partir de uma dimensão que não consigo perceber em sua grandeza.

E, se no final... bem, não tenho pressa, tenho esperança. Vou deixar o final para o final. Quero viver a vida que me resta e espero vivê-la da forma digna do ser humano que ama apesar das imperfeições, dúvidas, suspeitas e esperança de algo mais.

“Venha a nós o vosso Reino e seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu. Hoje e sempre. Amém!”

5 comentários:

Sandra Lúcia disse...

É...eu penso exatamente assim...não vivo de olho no céu, vivo de olho no chão, no aqui e no agora que é onde vale a pena fazer o bem e agradar ao meu Deus e à minha consciência. Parabéns pela belíssima postagem!

Francilangela disse...

Independemente de qualquer coisa, Jesus vale sempre a pena!

Francilangela disse...

Já vi que a veia pulsante de escrever vem da herança familiar porque o irmão escreve tão bem quanto a irmã. Beijos queridos!

Lifeology - by Nias Gomes disse...

Caramba! Se eu descubro que não é verdade vou dar graças a um Deus que não existe pois essa fé me proporcionou uma vida de realizações e um amor verdadeiro e louvar um Jesus de mentirinha que me capacitou ser maior servindo que ser servido; amando que ser amado; determinando uma vida de escolhas que viver "deixando a vida me levar". Sabe, Mentira ou Verdade eu vivo um Verdadeiro Amor em Cristo e isso vale à pena. Tente você também leitor amigo.

Josué Oliveira disse...

Gente, o bom dos comentários está na liberdade em também poder (se) expor. Concordando ou discordando, sua opinião é importante e valorizada.
Grato!
Josué